“Na despedida, passamos a olhar os detalhes, as coisas menores, os não-ditos.” Nosso adeus para Alan Rickman

Imagem 01 - Alan Rickman

*Por Jeam Camilo

Não é de agora que ouço/leio sobre homenagens feitas somente quando alguém morre. No último dia 14 de janeiro, um dos grandes atores do cinema mundial partiu após uma longa luta contra o câncer. Alan Rickman tinha 69 anos. 

Para o grande público, Alan será eternamente lembrado como o enigmático Professor Severo Snape da saga Harry Potter.

Rickman teve infância humilde, de pais operários. Formou-se como designer gráfico e, aos 25 anos, decidiu que queria mesmo ser ator. Inscreveu-se na prestigiada Royal Academy os Dramatic Art e lá trabalhou como camareiro para auxiliar no pagamento das mensalidades. Ali, venceu diversos prêmios por suas atuações.

 

O resto é história. Na década de 90, venceu prêmios importantes como o Globo de Ouro e o Emmy por suas atuações em filmes como Rasputin e Robin Hood. Dirigiu dois filmes em sua longa carreira: um tocante retrato sobre o relacionamento entre mãe e filha em Momento de Afeto, e o recente Um Pouco de Caos com Kate Winslet. Com Winslet, também trabalhou em Razão e Sensibilidade, primorosa adaptação do romance de Jane Austen. Ficou mundialmente conhecido após interpretar vilões como em Duro de Matar, Sweeney Todd e na saga Harry Potter. Rickman dizia que não interpretava vilões, mas sim “pessoas interessantes”.

 

Infelizmente, grande parte do público veio a conhecer sua peculiar carreira após sua morte e isso nos leva a tantos outros exemplos de pessoas com talentos ímpares, mas que, só foram reconhecidos após saírem de cena. É o caso de Cassia Eller que, mesmo tendo tido sucesso relativo quando viva, sempre foi tida como uma artista marginal. Após sua morte, teve sua obra revisitada e conquistou definitivamente seu lugar como uma das maiores intérpretes de nossa música. Ou, caso mais recente na literatura, o inominável David Foster Wallace ganhou status de gênio por conta de sua imensa e, por vezes incompreensível obra, especialmente Graça infinita.

 

Esses artistas tão aclamados após sua morte são partes fundamentais da construção do que chamamos de cultura pop. Em intepretações musicais, literárias ou teatrais, exteriorizam mensagens e imagens que inspiram e influenciam outros tantos artistas. É comum, por exemplo, admirarmos o trabalho do grande artista Andy Warhol e seu famoso quadro com a foto de outro grande ícone, Marilyn Monroe, exemplo eficaz de como uma figura icônica inspira outro grande gênio para criar uma obra que perdura por todo o sempre.

 

O que nos impede, então, de valorizá-los quando em vida? Utilizando-se de uma frase feita bastante clichê, de que só valorizamos algo ou alguém quando perdemos. Tenho a impressão que, na despedida, passamos a olhar os detalhes, as coisas menores, os não-ditos, e isso aguça nossa percepção sobre o outro. Não temos “volta”. Na despedida, não temos oportunidade de dizer o quanto gostávamos, ou o quanto gostaríamos de ter feito. Por isso valorizamos tanto postumamente: uma forma de retratação sobre tudo o que poderia ter sido, dito, ouvido, visto…

Não sabemos ainda valorizar os talentos em vida. E também não sabemos como reagir em homenagens póstumas.

Não sabemos sequer dizer adeus.

 

Jeam CamiloJeam Camilo

Bibliotecário de Referência da Biblioteca Paulo Ernesto Tolle, formado em Biblioteconomia pela UNESP – Marília e Pós-Graduado em Roteiro Audiovisual pelo SENAC – SP. Também é escritor com dois livros publicados, além de roteirista de dois projetos cinematográficos em andamento.

 

Aproveitando esse momento revival, a Biblioteca Fecap disponibiliza em seu acervo, obras desses grandes artistas e outros tantos que já partiram, ou não. Excelente oportunidade em (re) descobri-los!

 

 

J. K. Rowling

Toda a saga Harry Potter com os sete livros e os oito filmes.

 

 

 

Jane Austen

Razão e Sensibilidade (823 A933r)

 

 

 

Beatriz Helena Ramos Amaral

Cássia Eller, Canção da voz do fogo,  (780.922 A482c)

 

 

BREVES ENTREVISTAS COM HOMENS HEDIONDOS

David Foster Wallace

Breves entrevistas com homens hediondos: contos (813 W188)

Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo (814 W188f).

 

 

Klaus Honnef

Andy Warhol 1928-1987: Grandes Pintores do Século XX (708 G752aw)

Andy Warhol: 1928-1987: a comercialização da arte, (708 H773a).

 

Tete Ribeiro

(Marilyn Monroe) Divas abandonadas: os amores e os sofrimentos das 7 maiores divas do século XX,  (920.72 R484d)

 

 

 

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