“A força do rádio reside na sua capacidade de criar laços”

Rádio

* Por. Profa. Julia Lúcia

Desde 2012, todo dia 13 de fevereiro, a UNESCO homenageia a mídia que seguramente tem a maior audiência mundial. Baixo custo, simplicidade, agilidade, ampla abrangência social e territorial são algumas das características de um meio que tem forte potencial para a promoção da liberdade de expressão, do pluralismo, do diálogo e, portanto, da cooperação entre os povos. 

Contrariando as inúmeras apostas de que o rádio sucumbiria diante do desenvolvimento e popularização da internet, o meio não só se reinventou como caiu na rede globalizando sua abrangência antes limitada pelo alcance das ondas hertzianas. Diante das inúmeras possibilidades que as tecnologias de comunicação e informação digitais apresentam, o rádio tem se transformado tanto na sua dinâmica de produção e disponibilização de conteúdos, como na sua relação com o ouvinte, que é constantemente convidado a ‘fazer parte da programação’ por meio de estratégias que envolvem ferramentas e plataformas digitais como as redes sociais.

Nesse processo de transformação constante, radiomorfose, a capacidade de envolvimento, de ativação do imaginário, por meio de uma estética essencialmente sonora, ou seja, música, efeitos sonoros, vozes, ruídos e silêncios, é que sustenta a permanência do rádio em um contexto de supervalorização da imagem. Portanto, a força do rádio reside na sua capacidade de criar laços, estabelecer vínculo com cada ouvinte que se sente como integrante de um grupo.  É possível supor que seja este sentimento de pertencimento que motive os ouvintes a acompanharem e até mesmo responderem ao chamado de seus comunicadores, compartilhando mensagens instantâneas em plataformas e redes sociais digitais com os mais diversos conteúdos (como situação do trânsito, repercussão da chuva, funcionamento do transporte público, respostas às enquetes e outras).

Para além da homenagem, a instituição do Dia Mundial do Rádio está conectada ao reconhecimento de que a capacidade do meio não se restringe a de informar com agilidade e entreter por meio de uma linguagem acessível e programação diversificada. A força deste meio de comunicação, que teve seus primeiros experimentos no final do século XIX, está na sua capacidade de ser um companheiro em qualquer lugar a qualquer momento.

 

Prof. JuliaProfa. Júlia Lúcia de Oliveira Albano da Silva
Doutora em Comunicação e Semiótica, pesquisadora do grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura do Ouvir, autora do livro “Rádio a oralidade mediatizada” editado pela editora Annablume. Docente universitária há 23 anos, leciona disciplinas relacionadas a mídias sonoras – produção e roteirização, radiojornalismo e teorias da comunicação. Na FECAP é professora dos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.

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