Desapegar? Eis a questão. Ou não!

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O tal lance do desapego… eita coisa difícil de fazer! No final do mês de abril desse ano, a Biblioteca Paulo Tolle realizou a 3ª edição da sua Feira Cultural, com trocas de livros, HQs e DVDs. Foi um sucesso. E, nesses três dias, muitas pessoas chegaram até nós com algumas dificuldades…. Adivinhem? Dificuldade no desapego. Totalmente compreensível.

A proposta da nossa Feira era justamente essa: doe, desapegue, troque. Muita gente falou: “mas não quero me desfazer daquele livro!”. Não, não é preciso se desfazer daquele seu livro favorito. O desapego vem de um processo. Alguns apegos são bem desnecessários. Eu, por exemplo, guardava até papel de bala Freegells por conta das frases bonitas que vinham nela. Olha só!

Com o tempo, nosso apego vai se refinando. Você começa a pensar melhor no que te faz bem. E, sim: pode até mesmo ser o tal papel daquela bala. Mas, geralmente, nossas posses caminham lado a lado com nosso amadurecimento. Letras de músicas organizadas numa pasta por ordem de banda (quem nunca?); livros de poesia que falam de amor, vida, amizade; romances com cara de sebo (quem gosta, entenderá: capas antigas, folhas amareladas, e todo aquele charme old school que faz parte do processo de adoração e apego); discos, CDs, pôsteres… e toda uma variedade de “coisas” que nos dizem tanto.

De fato, é preciso ter um tempo para o desapego. Aquele livro já lido e que não leremos de novo; aqueles papéis que tanto significavam aos quinze anos e hoje são tão estranhos; os velhos diários que parecem contar histórias de um outro eu, em uma outra era, etc. Desapegar também de coisas que se arrastam e dar um jeito nisso: aquela história que não desanda e é preciso dar um “tchau”; aquelas pessoas que já significaram muito, deixe-as ir embora.

Desapegar não é fácil. Nem deixa de ser doloroso. Mas já foi… lido, escrito, vivido e fez parte da nossa bagagem.

Recentemente, me mudei de apartamento para um bem menor. Tive que, forçosamente, me desfazer de várias coisas. E, não, não foi traumático. Analisando os filmes, livros e tantos, tantos papéis, percebi que o que eu amava e considerava já estava comigo, já fazia parte de mim: a minha bagagem. As mensagens, as frases favoritas, as músicas e livros já haviam me transformado. Já era eu!

Nesse caso, só nos resta uma única opção: deixar ir. Voar. E a gente voa e vai junto!

 

Recomendo alguns livros e filmes sobre desapego, todos eles podem ser retirados para empréstimo aqui na Bibilioteca da FECAP:

 

Livros:

– Simples assim – Martha Medeiros (869.94 M488s);

– Comer, rezar, amar – Elizabeth Gilbert (910.4 G464c);

– Norwegian Wood – Haruki Murakami (895.63 M972n);

– A casa dos espíritos – Isabel Allende (863.8 A425c);

– A visita cruel do tempo – Jennifer Egan (813 A425v);

– Eu me chamo Antonio – Pedro Gabriel (869.1 G118e);

 

Filmes:

– O casamento do meu melhor amigo (DVD 791.43617 C334);

– Brilho eterno de uma mente sem lembranças (DVD 791.436203 B857);

– Nós que aqui estamos, por vós esperamos (DVD 869.93 M394n);

– Birdman – ou a inesperada virtude da ignorância (DVD 791.43620523 B618);

 

Jeam CamiloJeam Camilo

Bibliotecário de Referência da Biblioteca Paulo Ernesto Tolle, formado em Biblioteconomia pela UNESP – Marília e Pós-Graduado em Roteiro Audiovisual pelo SENAC – SP. Também é escritor com dois livros publicados, além de roteirista de dois projetos cinematográficos em andamento.

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