Mário de Andrade… Alvarista?

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Andando pelos corredores da FECAP, você nunca se perguntou que figuras famosas foram alunas da Fundação?

Você sabia que o escritor que revolucionou a literatura no Brasil, também foi um Alvarista? Isso mesmo!

Mário, por seguir os passos do pai, que foi contador de um rico exportador de café, estudou na Escola de Comércio Álvares Penteado em 1909, com 16 anos, no curso de contabilidade. Entretanto, em dois meses acabou saindo porque teve um grave desentendimento com o professor de português Gervásio de Araújo, por discordâncias sobre normas gramaticais! Quem diria, hein?

Esse mesmo professor lusitano deu aulas para Oswald de Andrade e foi o primeiro a reconhecer o talento de Oswald. O professor Gervásio é descrito como um homem “grosso e baixote, sob uma desgrenhada cabeleira grisalha” no livro ‘1922: a semana que não terminou’, de Marcos Augusto Gonçalves.

Entende-se o motivo do conflito: o professor Gervásio estava mais preocupado em defender o ensino comercial e industrial. Isso porque, nessa época, a maioria dos profissionais que trabalhavam na indústria e no comércio eram estrangeiros. Para ele, era importantíssimo fazer com que profissionais brasileiros, formados em nosso país, chegassem capacitados ao mercado de trabalho e substituíssem os estrangeiros.

Cada um, a seu modo, ajudou na construção de um Brasil mais “moderno”, já que se viviam os tempos da Semana de Arte Moderna, sendo Mário e Oswald de Andrade um de seus promotores. Os “Andrades” empenharam-se em fazer uma nova literatura e o professor Gervásio estava comprometido com o ensino, a fim de que os brasileiros pudessem estar devidamente capacitados para exercer funções que antes eram desempenhadas apenas por estrangeiros.

Mario Raul Moraes de Andrade foi um poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta brasileiro. Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro Pauliceia Desvairada em 1922. Andrade exerceu uma grande influência na literatura moderna brasileira e, como ensaísta e estudioso—foi um pioneiro do campo da etnomusicologia—sua influência transcendeu as fronteiras do Brasil. Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos.

 

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Miriam Vale – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

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