FECAP e a Escola Livre de Sociologia e Política

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A íntima ligação entre a Escola Livre de Sociologia e Política e a Escola de Comércio “Álvares Penteado”.

A Escola de Comércio Álvares Penteado, em 1933, cedeu parte de suas instalações para a recém-fundada Escola Livre de Sociologia e Política, que renovou a visão das ciências humanas, na época. Foi a primeira escola do gênero na América do Sul, criada em 27 de maio de 1933 por iniciativa de pouco mais de uma centena de figuras eminentes da sociedade paulistana, dentre as quais se destacam os dirigentes das principais entidades de ensino de São Paulo, como da Faculdade de Direito, da Escola Politécnica, da Faculdade de Medicina, da Escola de Comércio Álvares Penteado e da Escola de Belas Artes, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, do Instituto de Engenharia, da Federação das Indústrias, dentre outros.

Reconhecida em 1946 pelo Governo Federal, estabeleceu o currículo mínimo de sociologia e política para todo o País. Em 1949, passou a chamar-se Escola de Sociologia e Política de São Paulo, e o curso de sociologia deixou de ser livre e foi regulamentado como um curso universitário.

Pioneira, a Escola de Sociologia montou a primeira pesquisa de custo de vida em São Paulo, em 1934, sob a orientação do professor Horace Davis, com coleta de dados e análise dos orçamentos familiares de 221 famílias operárias. Em parceria com a Prefeitura de São Paulo, em 1936 e 1937, o professor Samuel Lowrie, da Escola, orientou nova pesquisa com 308 operários.

Essas pesquisas feitas pelos professores pioneiros da sociologia aplicada no Brasil ofereceram subsídios para o estabelecimento do salário-mínimo nacional.

Ficou curioso (a) e quer saber mais sobre as condições de vida na São Paulo da década de 1930? Recomendamos a leitura do livro “As pesquisas sobre o padrão de vida dos trabalhadores da cidade de São Paulo”. A publicação foi feita pela própria editora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em comemoração aos seus 75 anos.

Em 1940, a FESPSP incorporou o curso de Biblioteconomia e Documentação. O curso era mantido pela Prefeitura do Município de São Paulo desde sua criação por Rubens Borba de Moraes, em 1936, mas passou a ser cobrado. Foi fundamental nesse processo o apoio da Fundação Rockefeller. Você, leitor, deve ter percebido que Rubens, pelo seu sobrenome, era descendente de Borba Gato. Mas a história dele não para por aí: Rubens participou da organização da Semana de Arte Moderna de 1922, foi diretor da Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade e da Biblioteca Nacional, fundador da Associação Paulista de Bibliotecários, além de ter trabalhado tanto na Biblioteca quanto no Centro de Informações da ONU.

Obviamente, que sua paixão pelos livros e sede de compartilhar conhecimento com todos era tanta que, ao falecer, em 1986, deixou seu vasto acervo de livros para a Biblioteca José Mindlin.

Em 1941, foi fundada a Divisão de Estudos Pós-Graduados, responsável pela formação da primeira geração de pesquisadores nas áreas da sociologia, política e administração pública no país. Para isso, o professor Donald Pierson, da Universidade de Chicago, foi convidado a estruturar o curso de pós-graduação.

Esse professor havia defendido sua tese em 1939, na Universidade de Chicago. Seu trabalho analisava as relações raciais na Bahia. A conclusão dele foi que os negros ocupavam uma posição inferior na escala social brasileira, mas não havia o racismo tal como definido nos Estados Unidos. O professor atuou na FESPSP até 1959.

É interessante deixar registrado que todos os cursos da FESPSP eram ministrados no prédio da Álvares Penteado, situado no Largo São Francisco. Ou seja, a escola de Sociologia e Política funcionou no prédio da Escola de Comércio Álvares Penteado desde sua fundação, em 1933, até 1954, quando foi para sede própria, na rua General Jardim, onde permanece até hoje.

 

Miriam Vale_DSC0145 – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

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