La vie en Rose…

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Dia desses, me peguei tendo umas boas lembranças de um passado nem tão distante assim…

Morei por quatro anos na cidade (linda!) de Ribeirão Preto. Morava no centro da cidade, bem no centro mesmo…

Em uma rua onde ficava um cinema de rua quase sempre gratuito; rua do melhor – e mais barato, marmitex da região; rua onde garotos de programa faziam ponto em frente à Igreja Matriz; rua que desembocava na rodoviária… em termos gerais: santos e pecadores; pedestres e comerciantes; carros e bicicletas; cinema e chopp; pipoca e sorvete nas tardes (muito) quentes de Ribeirão… a concentração de pessoas, histórias e lugares tão típicos de cidade para cidade.

Por ser um ponto importante de ligação para os bairros, há muito movimento, mesmo com suas ruas estreitas. Qualquer conversa ao pé do ouvido pode ser ouvida por quem mora no primeiro andar. Quem vai trabalhar, passa por ali; quem volta de balada, passa por ali, e por ai vai.

Acontece que, numa manhã de domingo, lá pelas 6h e pouco, acordei com o som de um carro passando lentamente perto da esquina do apartamento onde eu morava. E vinha calmo, tranquilo, não com as acelerações típicas de quem volta de bares em plena madrugada e quer fazer graça irresponsável nas ruas: o carro não tinha pressa. Passou devagar e em alto e bom som: Edith Piaf cantava os primeiros versos de La vie en rose.

E a música tocou por um bom tempo… seis e pouco da manhã… quase acordado, quase dormindo… mas houve um despertar incomum: tão cedo; tão ressacado do sábado à noite, ouvir essa música foi como um bálsamo perante os dias ruins e estressantes; quando Piaf começou a cantar Quand il me prend dans ses bras / Il me parle tout bas / Je vois la vie en rose’, uma felicidade invadiu meu peito, como se tudo, de repente fizesse sentido: o dia será lindo, a vida pode ser linda!

E, justamente Piaf, o pardalzinho que cresceu nos centros; nas ruas com michês e prostitutas; com artistas e bebida… um encontro furtivo, quase de susto, quase desapercebido…

Utópico? Sentimento passageiro? Não importa. Quem estava naquele carro estava profundamente feliz… e estava espalhando essa felicidade às seis da manhã de um domingo de uma cidade absurdamente quente e apaixonante. E era uma felicidade tão transbordante, que nada, nem o sono, nem a ressaca, nem o horário poderia macular. Essa felicidade invadiu a cidade. Ao menos no centro… ao menos pra mim.


Filmes e livros sobre essa tal felicidade:

– Quatro casamentos e um funeral; (DVD 791.43617 Q2)

– Casablanca; (DVD 791.4363085 C334)

– Comer, rezar, amar; (DVD 791.436203 C732)

– Fale com Ela; (DVD 791.436203 F187)

– Birdman; (DVD 791.43620523 B618)

– A casa dos espíritos – Isabel Allende (863.8 A425c)

– Eu me chamo Antonio – Pedro Gabriel (869.1 G118e)

– O grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald (813 F553g)

Jeam Camilo Jeam Camilo

Bibliotecário de Referência da Biblioteca Paulo Ernesto Tolle, formado em Biblioteconomia pela UNESP – Marília e Pós-Graduado em Roteiro Audiovisual pelo SENAC – SP. Também é escritor com dois livros publicados, além de roteirista de dois projetos cinematográficos em andamento.

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