João andou mais de 100 km para mudar de vida

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Qual o esforço que você faria para chegar até a FECAP? Ok, tudo bem! Sabemos o quanto é difícil pegar transporte público lotado nos horários de pico em São Paulo, mas… andar a pé mais de 100 km para estudar e mudar de vida é algo extraordinário! Então, ajeite-se na cadeira, no metrô, no trem ou no ônibus lotado e venha saber e viver mais dessa história…

João Theotônio Moreira Salles nasceu em 1888 em Cambuí, Minas Gerais, e trabalhou na venda de secos e molhados de Adriano Colli até terminar o Grupo Escolar. Para os mais jovens, uma venda de secos e molhados é uma lojinha onde se comprava de tudo em uma época onde os supermercados ainda não tinham se difundido no Brasil. Aliás, na década de 1970, houve até um ótimo conjunto musical que adotou esse nome, Secos e Molhados, cujos integrantes eram o Ney Matogrosso, o João Ricardo e o Gérson Conrad. Muitos itens, como arroz, feijão, milho, farinhas, açúcar, café, fumo e cereais em geral não tinham marca e eram vendidos a granel nas vendas de secos e molhados, ou seja, tirados diretamente de sacos grandes, pesados e vendidos em porções menores para os clientes. Já o grupo escolar foi uma proposta que surgiu pouco depois da Proclamação da República de agrupar diversas escolas de uma região e também dividir os alunos por classes de acordo com seu nível de conhecimento.

Querendo melhorar de vida e continuar a estudar, João veio a pé para São Paulo. A experiência de caixeiro, atendendo clientes no balcão da venda de secos e molhados, foi valiosa e conseguiu empregar-se na firma Araújo Costa & Cia., de negociantes portugueses de tecidos e armarinhos. Aos 17 anos, matriculou-se na Escola de Comércio Álvares Penteado, no curso de Contabilidade. Formou-se em 1908 e voltou para sua terra, onde abriu a firma Moreira Salles & Cia.

Um aluno como outro qualquer, mas… você já matou a charada sobre quem foi João Theotônio Moreira Salles?

Com vocês: o embaixador Walther Moreira Salles, que exerceu seu cargo em Washington, durante o segundo governo de Getúlio Vargas. Walther era filho de João, e aqui nos conta o que seu pai fez quando voltou para Minas Gerais:

“Era uma pequenScreenshot_1a loja de secos e molhados como se dizia então. Em 1913 o negócio prosperou e a família mudou-se para Guaranésia, onde meu pai abriu novo negócio. Para evitar o transporte de numerário, os ambulantes recebiam cheques para serem descontados contra as contas correntes que as lojas mantinham junto aos bancos das cidades grandes. Tal circunstância fazia com que as lojas do interior passassem a ter contas num número crescente de bancos. Com o passar do tempo muitas se transformaram em correspondentes desses bancos, para as regiões onde atuavam”.

Foi o que aconteceu com a Moreira Salles & Cia., que se tornou correspondente do Banco Francês e Italiano e do Banco Alemão Transatlântico. Assim, estava plantada a semente do Banco Moreira Salles, que, em 1967, ao fundir-se com outros bancos, passou a ser chamado de União de Bancos Brasileiros, o conhecido Unibanco, hoje anexado ao conglomerado Itaú. É com muito #OrgulhoAlvarista que ajudamos a escrever desde 1902 esse tipo de história!

E a sua história? Como vai ser?

 

Miriam Vale_DSC0145 – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

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