FECAP e seu parentesco com a FAAP

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A FECAP, na época do seu surgimento, chamada Escola Prática de Comércio, começou com fundos de várias pessoas e instituições interessadas no bom andamento dos negócios em São Paulo. Dentre essas pessoas, estava o Conde Antônio de Álvares Leite Penteado, que fez a maior doação: Rs. 10:000$000 (dez contos de réis). No total foram conseguidos Rs. 25:200$000.

Pesquisa na imprensa da época permite uma comparação de valores: terrenos na Avenida Paulista, com 35 metros de frente por 11 metros de fundos, custavam Rs.300$000. As doações foram feitas em abril de 1902, para que as aulas já começassem em julho daquele ano, tal era a necessidade da cidade e do país terem um curso comercial.

O sucesso e a procura pelo curso foram tamanhos que em pouco tempo a Escola teve que mudar de lugar para abrigar todos os seus alunos. Assim, o Conde, absolutamente convencido de que era necessária uma sede própria para a Escola Prática de Comércio, doou um terreno situado no Largo São Francisco, 19. A Escola passou a homenagear seu benfeitor em 1907, por seu nome, passando a chamar-se Escola Prática de Comércio Álvares Penteado.

O mesmo Conde Antônio de Álvares Leite Penteado comprou o terreno que hoje abriga a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) de Victor Nothmann e Martinho Burchard (dois comerciantes alemães que adquiriram em 1890 algumas terras na região onde hoje é o bairro do Pacaembu e deram início ao seu loteamento).

Nele, havia uma nascente para fornecimento de água, solução importante para quem àquela época tinha uma fábrica de tecidos de lã e aniagem (tecido grosseiro de juta, linho cru ou outra fibra vegetal) e morava nas redondezas, principalmente porque ainda não existia rede de abastecimento de água na cidade.

Porém, o fundador da FAAP, Armando, era filho de Antônio (benfeitor da FECAP) e de Anna Paulina Lacerda Penteado. Armando havia idealizado um centro cultural, que foi fundado apenas em 1947, por meio da doação de seus bens e terrenos herdados da família. Além disso, ele doou à Entidade seu acervo original de artes plásticas. Armando Álvares Penteado casou-se com Annie Alwis, uma mulher francesa, mas não deixaram descendentes.

O irmão de Armando, Sílvio Álvares Penteado, presidiu o Conselho da FECAP entre 1912 e 1956, honrando o desejo do pai. Em 1949, Sílvio e Armando doaram a casa que moraram com seus pais, a Vila Penteado, à USP, para que ali fosse instalada a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Com esse ato, os dois irmãos foram agraciados com o título de Doutores Honoris Causa da Universidade de São Paulo.

Silvio casou-se com Honorina Álvares Penteado e tiveram um filho, Honório Álvares Penteado, que se tornou membro do Conselho da FECAP em 1951 e participou das decisões da Fundação durante 44 anos. Por fim, deixou a missão familiar de Presidente Honorário do Conselho Curador da FECAP para seu filho, Silvio Álvares Penteado Neto. Silvio formou-se em Artes Plásticas, com Licenciatura, na FAAP em 2000.

Pode-se concluir que a FECAP descende diretamente do Conde Antônio de Álvares Leite Penteado, empreendedor de São Paulo. Por conta disso, desde seu início, a Fundação possui cursos ligados ao comércio e aos negócios, seu verdadeiro DNA. A FAAP foi fundada pelo filho do Conde Antônio, Armando, pessoa absolutamente ligada à cultura e às artes. Sendo assim, pode-se considerar a FAAP “irmã mais nova” da FECAP.

 

Miriam Vale_DSC0145 – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

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