Conde Antônio Álvares Penteado

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O primeiro post do ano da Curadoria vem tentar dar mais informações à Comunidade Alvarista sobre uma figura muito mencionada por nós: Álvares Penteado.

Alguns textos que escrevemos no ano passado citaram o Conde, que tem uma estátua dentro do nosso campus no Largo São Francisco. Aliás, você já teve a curiosidade de visitar esse prédio, que não só abriga nossos cursos de pós-graduação, mas é tombado pelo patrimônio histórico desde 1992? Pois é, Alvarista… Ponha na sua “to do list” e vá até lá para ver a beleza que é um prédio em estilo art noveau e não resista ao nosso café, ao nosso centro de memória que vai ser totalmente reformulado esse ano, ao nosso salão nobre e a nossa biblioteca!

O homem que mais doou fundos para que a FECAP finalmente se estabelecesse em 1902, é de Mogi Mirim e nasceu em fevereiro de 1852. Mesmo tendo falecido com apenas 60 anos, em Paris, Antônio de Álvares Leite Penteado tinha uma grande atitude empreendedora, valor que até hoje nossa fundação julga como sendo incrivelmente importante para quem resolve participar de nossa comunidade.

Álvares Penteado conseguiu fazer a transição do campo para empreendimentos industriais na cidade, que despontavam e começavam a impulsionar a economia. Formou a Fazenda Palmares, em Mogi Guaçu, produtora de café, e mudou-se para São Paulo em 1890. Percebendo esse movimento econômico, em 1891, recebeu do Governo Federal o “privilegio para o fabrico de artefactos da fibra da juta ou canhamo da India”, com palavras da época, publicadas no Diário Oficial da União. A concessão valeria por 15 anos e o comprometimento era que a matéria prima não fosse importada. Assim, no ano seguinte, em 1892, estava fundada a Fiação de Juta Santana e a Manufatura de Lã Penteado. Ambas as fábricas foram instaladas no Brás e deram emprego para mais de 1000 operários, em sua maioria italianos.

É interessante observar que a prevalência das pessoas que trabalhavam nesse complexo industrial com mais de vinte mil metros quadrados eram mulheres. É claro que a indústria também auxiliava nos negócios do campo já que era a fiação a responsável pela produção de sacos para que o café fosse devidamente acondicionado e comercializado.

Resultado de imagem para PALACIO DO COMERCIO FECAPEm 1907, mesmo ano que Antônio e sua esposa doaram para a ainda Escola Prática de Comércio o terreno no Largo São Francisco, o Papa Pio X tornou-o conde. Portanto, as grandes doações que o recém-feito conde fez para a Escola Prática de Comércio só poderiam ser devidamente agradecidas com a mudança de nome da escola, que passou a ser Escola de Comércio Álvares Penteado, em 1908. Em dezembro desse ano, o prédio foi inaugurado e ficou conhecido como Palácio do Comércio.

Antônio realmente acreditava na transformação da vida das pessoas por uma educação moderna e de qualidade, tanto é que enviou seus filhos para estudarem sobre o comércio na Inglaterra, algo que ele acreditava ser fundamental para o século XX. Como não poderia deixar de ser, foi presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 5 anos depois de sua criação em 1894. Enfrentou inúmeras dificuldades da crise de 1900 e propôs várias medidas ao governo federal.

A Prefeitura de São Paulo homenageou Antônio com a denominação de Álvares Penteado a uma das mais antigas ruas do centro da capital. A Rua Álvares Penteado inicia-se na confluência da Rua do Tesouro com o Largo da Misericórdia e termina adivinhem onde? Exatamente na Rua do Comércio! Nada é por acaso! E adivinhem que edifício fica na Rua Álvares Penteado, 23? O Edifício Ouro para o Bem de São Paulo, também conhecido como prédio Bandeira Paulista e que já foi mencionado em um de nossos posts (Clique aqui).

Muito se fala sobre endowments, que nada mais é que a arrecadação de fundos para que uma causa comum das pessoas que doaram seus recursos siga em frente com a administração desse patrimônio inicial. Dessa forma, a subscrição de Álvares Penteado com mais 17 sócios para a Escola Prática de Comércio pode ser considerada como um dos primeiros endowments em nosso país.

Gostaríamos de encerrar esse texto dizendo que nos orgulha muito ter alguém como um de nossos fundadores tão a frente de seu tempo: fazendeiro, industrial, comerciante e quem mais aportou recursos em um dos primeiros endowments de nosso país. É inegável a contribuição material de Álvares Penteado para a FECAP, entretanto, devemos lembrar a questão de valores deixada como herança para nós Alvaristas: o espírito empreendedor.

É com esse espírito que queremos que todos iniciem o ano de 2017 e suas atividades nessa nossa casa centenária. Que muito mais gente tão boa quanto, ou até melhor, entre pelos nossos portões e venha fazer parte de nossa comunidade para que nossa fundação, nossos valores, nossa visão e nossa missão nunca conheçam o temido “the end”!

Miriam Vale_DSC0145 – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

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