Ex-aluno da FECAP virou nome de praça em São Paulo: uma viagem no tempo aos anos 20

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Você sabia que tem uma praça ali no bairro do Brooklin, em frente ao Morumbi Shopping, cujo nome homenageia um ex-aluno da FECAP?

Provavelmente você já deve ter reparado que a história da FECAP e a de seus personagens se misturam completamente com o desenvolvimento da cidade de São Paulo, de sua indústria, de seu comércio e praticamente de qualquer negócio que aqui tenha germinado.

Não é à toa que alguns lugares foram batizados com nomes de nossos ex-alunos, ex-professores e fundadores, como reconhecimento da cidade de São Paulo pelos serviços que essas pessoas tão importantes prestaram. Aguce seu espírito curioso e sinta-se mais Alvarista quando estiver caminhando pela Rua Álvares Penteado, no centro da cidade, ou pela Rua Professor Horácio Berlinck, no Butantã.

Já falamos sobre a história do Conde Álvares Penteado aqui no blog e em breve abordaremos a saga de Horácio Berlinck, mas hoje é dia de falar sobre um notável aluno que estudou na FECAP no final dos anos 20. A cidade o homenageou dando seu nome ao logradouro acima referido: “Praça Marcos Valente”.

Já falamos sobre o filho dele, que herdou o nome do pai, Marcos, e hoje é integrante da banda JP5, criada aqui nos corredores do Largo São Francisco na década de 60 e composta por ex-alunos FECAP.

A partir da entrevista que fizemos com o JP5, ficamos sabendo que o pai do Marcos Jr., um dos integrantes da banda, foi aluno da FECAP. Naquele momento, não sabíamos ainda de outros detalhes. Então, fomos pesquisar nos arquivos da Secretaria do Colégio sobre a passagem de Marcos Valente e descobrimos que ele estudou aqui na FECAP em 1929.

marcos - acervo familiaNaquele mesmo ano, o mundo viu a Grande Depressão nos Estados Unidos e o Brasil sofreu também, já que sua produção de café tinha praticamente duplicado nos últimos 5 anos e, com muito produto no mercado, menos recursos por conta da crise, os preços caíram tremendamente. Não foi à toa que o governo Getúlio Vargas queimou muitas sacas de café em uma tentativa de elevar o preço da commodity da qual tanto dependia a economia brasileira.

No ano anterior à Grande Depressão, Marcos Valente havia voltado de Serra Negra para São Paulo, onde tomou conta de seu tio padre, o Monsenhor Umberto Manzini, e deparou-se com uma cidade ainda extremamente provinciana, cheia de imigrantes, mas infestada de oportunidades.

Marcos, que também era sobrinho de Victor Manzini, jornalista fundador da Tribuna de Santo Amaro, também já homenageado com o nome de uma importante avenida ao lado da ponte do Socorro, em Santo Amaro, matriculou-se com 15 anos, no começo de 1929, no “Curso Annexo” da FECAP.

matriculaNaquela época, o Regimento Interno dizia que a Escola de Comércio Álvares Penteado “tem por fim ministrar o ensino technico commercial, destinado à formação de profissionaes habilitados para o exercicio de qualquer ramo da actividade commercial” (grafia da época). Assim, o “Curso Annexo” tinha a duração de um ano e era destinado ao preparo de alunos que posteriormente se encaminhavam ao “Curso Geral” ou ao “Curso Especial Feminino”. O Curso Geral tinha a duração de 4 anos e habilitava para as funções de perito-contador, enquanto o Curso Especial Feminino estendia-se por 3 anos e as mulheres que se formavam eram guarda-livros e auxiliares do comércio.

Para ingressar no Curso Anexo, o aspirante deveria ter mais de 12 anos, apresentar o diploma do Grupo Escolar ou estabelecimento equivalente e submeter-se ao exame de admissão, que constava de provas orais e escritas de português e aritmética. Assim aconteceu com Marcos Valente (e com todos os outros aspirantes), que, no Largo São Francisco, estudou “portuguez, arithmética, francez e geographia geral” (grafia da época).

Em paralelo aos estudos, Marcos ajudava seu pai, Leonardo, italiano, que possuía um empório na Vila Mariana. O Alvarista costumava contar a seus filhos que, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, enquanto a cavalaria do Exército avançava sobre os dissidentes, ele e seu pai recolhiam os feridos, fechavam as portas do empório e cuidavam com salmoura dos machucados dos bravos paulistas combatentes. Esse período foi extremamente importante para nosso Estado e já falamos sobre o papel da FECAP naquela Revolução.

bazarCasado e pai de sete filhos, Marcos foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do bairro do Brooklin Paulista, onde residia na Rua Joaquim Nabuco. Dentre seus feitos, se destaca a fundação do Bazar Valente, no qual vendia materiais escolares. Depois, criou a Marcos Valente Transportes Escolares, na década de 1940, época em que o transporte público era muito escasso e a maioria das ruas da cidade de São Paulo eram de terra. Com atitude pioneira, se encarregava de transportar alunos para as escolas dos então distantes bairros de Santo Amaro, Alto da Boa Vista, Granja Julieta, Campo Belo, Aeroporto, Moema, Vila Nova Conceição e Vila Olímpia.

Além do espírito empreendedor, outro traço comum aos Alvaristas e que encontramos na história do Sr. Valente, era seu engajamento filantrópico: Marcos liderou movimentos comunitários para organização de eventos beneficentes e captação de recursos para a construção da edificação do Colégio Beatíssima Virgem Maria e também da Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

transporteCostumava organizar passeios com seus ônibus para crianças carentes de uma creche em Itapecerica da Serra para o Jardim Zoológico e é claro que também fornecia lanches para elas! Diversas vezes foi procurado para ajudar pessoas que não tinham condições financeiras, mas precisavam de transporte para hospitais e outros locais. Nunca se negou a fazer isso. Ele podia estar fazendo qualquer outra coisa, mas parava tudo e ia ajudar.

Em 2009, por conta de tudo o que Marcos Valente fez por seu bairro e por sua cidade, a praça ao lado do Morumbi Shopping passou a ostentar seu nome. Uma justa homenagem a esse Alvarista que, dentro de seu contexto de vida e de suas possibilidades, a exemplo do Conde Álvares Penteado e de tantos outros que passaram pelos corredores do Palácio do Comércio e de nossos outros campi, ajudou a construir uma São Paulo melhor.

E você, o que vai fazer para que o #OrgulhoAlvarista continue a ser propagado pelos séculos?

 

Miriam Vale_DSC0145 – Doutora e mestre em administração de empresas, na linha de Estudos Organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Concluiu graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) em 2007, sendo que passou um ano em intercâmbio estudando na Universidade de Maastricht e Universidade de Coimbra. Atuou em empresas privadas de telefonia celular e bancos. Atualmente é professora na graduação da FECAP, onde também atua como Curadora do Acervo Histórico.

Luis Mblog01_prof_luisotta – Graduado em Administração de Empresas pela FECAP (2008) e possui certificação PMP do PMI – Project Management Institute (2010). Pós-graduado em Economia de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Instituto de Pesquisas Economicas (FIPE), e possui especialização em gerenciamento de projetos. Foi representante do corpo discente na Comissão Própria de Avaliação da FECAP (2006-2008). Tem experiência em gestão de projetos e gestão da inovação em projetos realizados no Brasil e em outros países da América Latina. Atualmente é Coordenador de Relacionamento com Ex-Alunos na FECAP, Gerente de Projetos na empresa Brink’s Segurança e Transporte de Valores e está cursando o Mestrado Profissional em Administração na FECAP.

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