De Alvarista para Alvarista – William Shibuya

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Alguma vez você já pensou em estudar no exterior? Já pensou como seria encarar um processo seletivo para um Doutorado em alguma renomada universidade norte americana? Conheça nesta entrevista com o ex-aluno do Mestrado da FECAP William Shibuya como foi a jornada dele até ser aprovado para o PhD na University of Houston em mais um post da série “De Alvarista para Alvarista”.

Conte-nos um pouco sobre a sua jornada: onde estudou e onde trabalhou até chegar aqui?

Antes de ir para o Mestrado Profissional da FECAP, eu possuía o bacharelado em Administração de Empresas pela USP e o MBA pela BBS. Também já tinha uma carreira profissional de mais de 20 anos, em diversas empresas como GuiaQual (parte do grupo Abril), MC1 (subsidiária da Mitsubishi) e SKY, antes de redirecionar minha carreira para a área acadêmica. Durante meu mestrado, eu trabalhava como professor no Senac.

Em 2014, você começou a cursar o Mestrado Profissional em Administração da FECAP, concluído em 2016. O que o motivou a realizar esse curso e como foi essa experiência?

São vários os motivos. Um deles é que, ao me tornar professor, vi que o mestrado era uma exigência do mercado. Outro é que, trabalhando no Senac, eu tinha todo um apoio para fazer o mestrado, inclusive a bolsa de estudos. E o Mestrado Profissional me atraía muito mais do que o mestrado tradicional, por ter um foco maior nas aplicações práticas da pesquisa. Para mim, teoria e prática devem ser aliadas, então o mestrado profissional fazia muito mais sentido para mim.

A experiência foi muito acima das minhas expectativas. No mestrado, eu encontrei a oportunidade de buscar respostas para questões que nunca consegui resolver satisfatoriamente na minha carreira profissional. Foi uma chance de aprofundar meus conhecimentos, de descobrir que muito do que eu achava que sabia precisava ser questionado, e de encontrar soluções e novos caminhos.

A mais grata surpresa foi o relacionamento com os professores. Sempre ouvimos histórias de terror sobre professores de programas de mestrado. Porém, na FECAP, eu posso dizer que encontrei grandes aliados, não só para minha pesquisa, mas para meu crescimento pessoal e profissional. O Prof. Dr. Edson Barbero foi o melhor orientador que eu poderia ter para minha dissertação, por exemplo.

Você foi recentemente admitido no programa de Doutorado da Universidade de Houston. Conte-nos um pouco sobre como surgiu o interesse em participar desse programa e como foi o processo seletivo?

O interesse de fazer um doutorado no exterior surgiu aos poucos e de maneira natural durante o processo da dissertação. Na qualificação, eu tive alguns feedbacks importantes nesse sentido: que o tema que eu estava pesquisando (o impacto das atividades de marketing no resultado financeiro das empresas) era um tema relevante mundialmente e não apenas no Brasil. Que eu deveria já pensar em escrever um paper em inglês, visando a uma publicação no exterior. Que quase todas as minhas referências eram de publicações estrangeiras.

Então, uma continuidade do meu trabalho no exterior começou a fazer muito sentido para mim. Posteriormente, a participação na banca de defesa de uma professora com doutorado no exterior e o contato com professores estrangeiros durante o EnANPAD (evento no qual apresentei meu paper) reforçaram essa ideia.

Quanto ao processo seletivo, ele é longo e difícil. É preciso apresentar:

– Históricos escolares e diplomas/certificados, do bacharelado em diante, traduzidos para o inglês. Uma observação importante é que, nos EUA, ter um mestrado não é exigência para participar de um processo seletivo para doutorado. Muitos saem direto do bacharelado para o doutorado.

– GPA, que é basicamente a nota média final obtida durante cada etapa dos estudos (bacharelado, por exemplo). Como o sistema de notas dos EUA é bem diferente do sistema do Brasil, as universidades podem pedir para você fazer a conversão ou que você mande uma documentação explicando o sistema utilizado pela sua faculdade.

Curriculum, em inglês e de perfil acadêmico, não profissional.

– Pagamento da taxa, em geral em torno de US$ 100 cada universidade.

– 3 Cartas de recomendação, preferencialmente de pessoas do meio acadêmico, como professores e pesquisadores. No meu caso, foram 3 professores da FECAP.

– TOEFL, que é um teste de língua inglesa. A exigência varia de universidade para universidade, mas em geral para fazer o PhD você tem que ser muito bom em inglês. Na Universidade de Houston, por exemplo, o mínimo são 105 pontos, de um total de 120.

Statement of Purpose, que é uma carta que você escreve tentando convencer a universidade de que você é a pessoa certa para eles escolherem.

– E, a parte mais complicada, o GMAT. O GMAT é um exame, basicamente de competência verbal e matemática. É um exame pesado, mesmo para quem é bom em inglês e matemática. Lembre-se de que nesse caso você está competindo com pessoas graduadas com inglês nativo (que potencialmente são melhores do que nós na parte verbal) e com uma grande quantidade de candidatos de países, como China, Índia e Coréia do Sul (que dominam a parte matemática). Provavelmente você vai precisar de uma nota entre os top 5% das pessoas que fazem esse teste para ter maiores chances de entrar em um PhD nos EUA. Também é um exame cheio de armadilhas e que exige táticas especiais para resolver as questões. Eu sugiro começar a se preparar para o GMAT pelo menos um ano antes de você querer se inscrever no processo seletivo.

Depois que você estiver com tudo mais ou menos pronto, é possível selecionar as universidades em que você vai se candidatar. Em média, as pessoas participam do processo seletivo de aproximadamente 15 universidades diferentes, já que o processo é extremamente competitivo. Dois dos principais critérios a se pensar na hora de escolher as universidades é sua nota no GMAT e o que eles chamam de “research fit”. Sua nota no GMAT vai em grande parte determinar se você tem chance nas universidades Top 20, Top 50 ou Top 100. Mas não adianta ter uma nota perfeita em uma universidade errada. É aí que entra o research fit. Você vai precisar investigar quem são os professores das faculdades em que você tem interesse e o que eles estão pesquisando. Se seu interesse de pesquisa estiver alinhado com o de vários professores, ótimo. Senão, suas chances são mínimas. A Universidade de Houston se encaixa bem com meu perfil, já que eu sabia que minha nota alta do GMAT seria um diferencial para eles, é uma universidade muito bem ranqueada na área em que eu estava interessado e tem professores bem alinhados com meus interesses.

Alguns meses depois de me inscrever no processo seletivo e mandar a documentação, recebi um convite para a entrevista. Foram duas entrevistas via Skype, com professores diferentes, com aproximadamente uma hora de duração cada uma.

Pouco depois, recebi a oferta da Universidade de Houston para fazer parte do programa de PhD.

Quais são suas linhas de pesquisas e suas expectativas para a participação nesse PhD?

Eu faço parte do programa de PhD da Universidade de Houston – Bauer College of Business na linha de pesquisa de Marketing Quantitativo. Minha expectativa é mergulhar em fontes de conhecimento durante todo o programa de PhD, testando e descobrindo meus limites, cercado de pessoas da mais alta competência em um ambiente internacional.

Na sua visão, quais são as principais vantagens e desafios para quem quer se dedicar a uma carreira acadêmica?

Eu acredito que cada pessoa vai enxergar diferentes vantagens e desafios. Acredito que a carreira acadêmica só faz sentido para quem se identifica com o ensino ou com a pesquisa. Para essas pessoas, trazer novas contribuições ao conhecimento existente e ajudar a difundir conhecimento com novas pessoas são experiências gratificantes e prazerosas, acima de outras vantagens comuns a outras carreiras. Se for para pensar na parte financeira ou de status, um MBA de qualidade e uma carreira executiva certamente são opções melhores. Então, para mim, a vantagem foi me sentir realizado de uma maneira que a carreira executiva não me proporcionava.

O grande desafio provavelmente é conseguir alcançar essas novas contribuições ao conhecimento existente. Normalmente, os melhores alunos de uma classe normal são aqueles que aprendem muito bem o conhecimento que já existe. Mas isso não é o suficiente para quem busca uma carreira acadêmica. Você não está mais lá apenas para aprender o que existe, mas principalmente para buscar soluções que ainda não existem. O que força o desenvolvimento de habilidades que talvez nunca foram trabalhadas antes pela pessoa.

Que dicas você daria a um aluno que está concluindo a graduação e sonha em realizar um curso como esse no exterior?

Eu estou compartilhando muito das minhas dicas e da minha experiência em meu blog, myphdtales.blogspot.com.br

Mas acho que a principal dica é buscar e ouvir a voz da experiência. As universidades americanas não dão o caminho das pedras. As informações são incompletas, confusas, desatualizadas, espalhadas, desconexas. Acredito que já é uma forma de testar se você é capaz de encontrar seu próprio caminho, uma habilidade necessária em um programa de PhD. E a melhor maneira de saber qual o caminho é conversando com outras pessoas que já trilharam ou estão trilhando esse caminho. Seja pessoalmente ou pela internet, no Brasil ou no exterior, professor ou aluno. Eu não teria conseguido sem a ajuda de muita gente ao redor do mundo.

Qual foi o papel da FECAP na sua formação?

Eu costumo dizer que minha vida é uma jornada pelo conhecimento. Tive a época de adquirir conhecimento, de aplicar o conhecimento na prática e de compartilhar o conhecimento com outras pessoas. A FECAP veio para eu questionar esse conhecimento. E, ao questionar, pude aprofundar, encontrar novas respostas, evoluir. Fala-se muito em senso crítico, mas em nenhum outro lugar eu consegui desenvolver essa capacidade como na FECAP.

A indicação para realizar esta entrevista foi feita pelo também ex-aluno do Mestrado Marcos Vinicius Milan.

Gostou da história? Quer nos contar a sua, indicar alguma outra ou ainda saber como a FECAP pode ajudá-lo em sua jornada? Entre em contato com a Coordenação de Relacionamento com Ex-alunos pelo e-mail: luis.motta@fecap.br

 Saudações Alvaristas!

 

 

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